quarta-feira, 12 de março de 2014

[Resenha] Viagens de Gulliver - Jonathan Swift

Oi, gente!
Chegou o tão esperado fim de semana! E vim contar pra vocês as emoções e delícias de ler o clássico de Jonathan Swift, publicado inicialmente em 1726 - pois é, bem novinho. Viagens de Gulliver é um livro bem satírico e que capta a essência do sarcasmo, esse pequeno adjetivo desafortunadamente tão pouco utilizado e compreendido nos dias de hoje.
Essa leitura foi em cumprimento da minha meta: ler mais clássicos da literatura esse ano. Quem acompanha as resenhas sabe o quanto eu gosto dos clássicos - são meus livros preferidos.
Alô você, que também tem essa meta ou se interessa pelos clássicos! Essa resenha é especialmente pra você :)


Eis que logo de início tenho que admitir que traduzir em palavras as impressões e emoções desse livro não é nada fácil. Viagens de Gulliver é um livro gostoso de ler, principalmente por ser imprevisível - nos dias de hoje com tantos enredos e histórias parecidas, que leitor não se cativa ao ser surpreendido? Tive cenas inesperadas de risos em público em alguns trechos, porque simplesmente não consegui me conter. Livros que me arrancam risadas me cativam!
O enredo retrata as aventuras vividas pelo marinheiro por paixão e médico por profissão, o sr. Lemuel Gulliver; e engloba quatro cenários distópicos distintos. Tudo começa quando o navio em que Gulliver se encontrava naufraga próximo a uma ilha chamada Liliput, e ele se descobre cercado por pequenas criaturas, miniaturas de seres humanos. Visto como hostil e estando desacordado, Gulliver é amarrado - e nesse momento é impossível não imaginar essa cena:


Eram os liliputianos, que apesar do susto ao se depararem com uma criatura tão grande, acabaram se mostrando um povo gentil e hospitaleiro. Os liliputianos eram também minúsculos e encrenqueiros: brigavam por tudo e por qualquer coisa, e se deslumbravam com pequenos detalhes insignificantes - na minha visão de leitora, uma crítica velada ao superficialismo humano, em especial nas cortes reais europeias.  Gulliver conta como conviveu por anos com o pequeno povo, seus costumes, hábitos e leis; suas formas peculiares de pensar e agir me arrancaram gargalhadas. É um humor nonsense delicioso! 
Após anos de convívio com os liliputianos, Gulliver decide voltar pra casa, e narra os pormenores da aventura, imaginem construir um barco grande o suficiente para ele em um mundo onde tudo era no máximo do tamanho do seu antebraço!
Esse contato com a ilha de Liliput deixa Gulliver completamente apaixonado por aventuras, e assim ele segue a narrativa, contando os seus relatos em primeira mão de naufrágios (digamos apenas que: ou ele era meio azarado ou um péssimo marinheiro!), motins (tenho uma paixãozinha secreta por motins desde Piratas do Caribe...Meu sonho é dizer Parola! hahaha), terra de Gigantes (onde ele narra com extremo sarcasmo a importância que as pessoas podem ter de si mesmas, e que tudo é uma questão de perspetiva), cientistas malucos (definitivamente a parte mais engraçada do livro, gargalhei alto na rua sozinha, impossível não rir!). 
É espantoso a capacidade narrativa de Swift, porque ele narra com tanta seriedade e com tantos detalhes, que você realmente acredita que ele acredita - se é que isso faz sentido. É como ouvir alguém falando as maiores barbaridades e maluquices no tom de voz do William Bonner: inacreditavelmente engraçado. 
Por fim, em sua última aventura, Gulliver conhece os Houyhnhm, uma raça de cavalos super inteligentes que convivem de forma singular com os Yahoos (espécie de "seres humanos" em sua forma bem primitiva). Esse mundo distópico é de explodir a mente; e descrito de uma tão simples e objetiva que o leitor começa a se questionar, sobre valores, ideias e pensamentos.



O que mais me chamou a atenção em cada um dos mundos distópicos criados por Swift é como Gulliver se adaptou rápido, e foi conquistado pelas ideologias e hábitos daquele lugar. Quando ele narra sobre as dificuldades de adaptação ao retornar ao seu país, eu ri de sair lágrimas nos olhos - principalmente na terra dos gigantes, onde ele estava tão acostumado a ser minúsculo que passou meses só suportando olhar para os humanos de longe, e conversando aos gritos pra ser ouvido. 
Porém, nem tudo são flores nessa vida: o livro é basicamente a narrativa de um diário de viagens, inclusive o primeiro título do livro era "Travels into Several Remote Nations of the World, in Four Parts. By Lemuel Gulliver, First a Surgeon, and then a Captain of several Ships". Ou seja: um cara que não se preocupa quantas palavras têm o título do seu livro, com absoluta certeza não vai se preocupar quantas palavras serão usadas para escrever os capítulos. Dá pra contar nos dedos de uma única mão os diálogos do livro, e isso é muita coisa pra um livro de 349 páginas! Meu conselho é: leia um pouquinho por dia. Se conseguir conciliar duas leituras ao mesmo tempo, esse é o livro ideal! Eu não gosto, e demorei alguns dias pra ler, mas em nenhum momento pensei em abandonar a leitura. 
Na minha classificação pessoal é 3 de 5 estrelinhas!

Se você, querido leitor, chegou até aqui, merece um prêmio! E o prêmio é: esse livro já é de domínio público e você pode fazer o download legal e gratuitamente (através do projeto Gutenberg) nesse link, nos formatos html (online),epub, para kindle (mobi) e texto sem formatação (txt). Tem inclusive a versão ilustrada, que eu super recomendo!
Outra sugestão é pesquisar sobre o assustador parque abandonado baseado no livro, iniciado em 1997, na cidade de Kamikuishiki no Japão. Sinistro!! Você pode conferir as fotos aqui e aqui.
Beijos e até mais ;)